Quase toda marca define o prazo de consignação de semijoias copiando a concorrente. Trinta dias porque todo mundo usa trinta. Sessenta porque a revendedora pediu mais tempo e ficou chato negar. Só que o prazo não é um detalhe do contrato: ele decide quanto dinheiro seu está na rua, quantas vezes por ano cada peça tem chance de ser vendida e quanto tempo uma peça perdida leva para aparecer.
Vamos fazer a conta com uma maleta de exemplo e ver o que muda em cada prazo.
Por que o prazo de consignação de semijoias pesa mais do que parece
A maleta é capital seu, emprestado. Enquanto ela está com a revendedora, você não pode vender aquela peça para outra pessoa, nem trocar o mix, nem conferir o estado do banho. O prazo define três coisas ao mesmo tempo:
- Giro: quantos acertos por ano cada maleta faz.
- Visibilidade: de quanto em quanto tempo você confere o que voltou e o que sumiu.
- Risco: quanto tempo uma peça oxidada, avariada ou perdida fica escondida antes de você saber.
Prazo longo parece generoso com a revendedora. Na prática, ele costuma reduzir o que ela vende por mês, porque a urgência some.
A conta com uma maleta de R$ 4.000
Considere uma maleta com 80 peças, valor de venda total de R$ 4.000 (preço médio de R$ 50 por peça). Os números abaixo são ilustrativos, para mostrar a lógica:
- 30 dias: 12 acertos por ano, 24 peças vendidas por ciclo (30%), 288 peças no ano, R$ 14.400 de venda anual.
- 45 dias: 8 acertos por ano, 30 peças por ciclo (37%), 240 peças no ano, R$ 12.000 de venda anual.
- 60 dias: 6 acertos por ano, 34 peças por ciclo (42%), 204 peças no ano, R$ 10.200 de venda anual.
O ciclo maior vende mais por acerto, porque a revendedora tem mais dias. Mas vende menos no ano, porque a última metade do prazo rende pouco. A cliente que ia comprar compra na primeira quinzena. Depois disso, a maleta vira gaveta.
A diferença entre 30 e 60 dias, neste exemplo, é de 84 peças por ano na mesma maleta. Com 20 revendedoras, são 1.680 peças. Essa é a conta que o prazo esconde.
O custo invisível do prazo longo
Além da venda que não acontece, o prazo longo tem três custos que não aparecem no relatório:
- Peça que envelhece na maleta. Uma coleção que estava em alta no começo do ciclo pode estar fora de moda no fim. Em 60 dias, você perde a chance de trocar.
- Problema de banho descoberto tarde. Se uma peça começa a escurecer, você só sabe no acerto. Com 60 dias, a peça ficou dois meses exposta antes de voltar. Para o cuidado com o estoque, veja como guardar semijoias para não oxidar.
- Peça perdida que ninguém lembra. Quanto maior o intervalo, menor a chance de a revendedora saber onde a peça foi parar.
Quando 45 ou 60 dias fazem sentido
Prazo longo não é sempre erro. Ele funciona em três situações:
- Revendedora em cidade distante, onde o frete do acerto custa caro. Aqui, compense com conferência parcial por foto no meio do ciclo.
- Mix de alto valor unitário, como peças acima de R$ 300, que vendem devagar e por encomenda.
- Datas sazonais emendadas, como a maleta que sai no começo de novembro e volta depois do Natal, cobrindo Black Friday e fim de ano num ciclo só.
Fora desses casos, o prazo longo costuma ser só falta de regra.
Como escolher o prazo de consignação de semijoias da sua rede
Em vez de um prazo único para todas, use faixas baseadas em histórico:
- Revendedora nova: 21 a 30 dias. Você precisa ver rápido se ela vende e se cuida bem das peças.
- Revendedora com 3 acertos ou mais e venda acima de 30% por ciclo: 30 dias, com renovação automática da maleta.
- Revendedora com venda abaixo de 15% por ciclo: encurte o prazo e reduza a maleta, em vez de esticar o prazo. Se isso se repetir, reveja os critérios do post sobre quanto estoque deixar com cada revendedora.
Registre o prazo no termo de consignação, com data de saída e data de retorno. Prazo combinado só de boca vira prazo esticado.
O que acontece no dia do vencimento
Prazo sem consequência não é prazo. Defina por escrito o que acontece quando a data chega:
- Até 3 dias de atraso: lembrete e reagendamento.
- De 4 a 10 dias: suspensão de reposição até o acerto.
- Acima de 10 dias: cobrança formal das peças pelo valor de venda, conforme o termo.
O acerto em si segue o roteiro de conferência peça a peça, descrito em acerto de maleta de semijoias. O prazo só define quando ele acontece.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual é o prazo de consignação mais comum em semijoias?
Trinta dias é o mais comum no mercado. Alguns fornecedores trabalham com 45, e prazos de 60 dias aparecem em operações com revendedoras distantes ou peças de valor alto.
Prazo maior faz a revendedora vender mais?
Por ciclo, sim. Por ano, em geral não. A maior parte das vendas acontece nas primeiras semanas, e o resto do prazo rende pouco.
Posso ter prazos diferentes para revendedoras diferentes?
Pode e deve, desde que a regra seja clara e registrada. Prazo por desempenho é mais justo do que prazo igual para quem vende 40% e para quem vende 10%.
O que colocar no termo sobre o prazo?
Data de saída, data de retorno, o que acontece em caso de atraso e o valor de cobrança das peças não devolvidas. O resto é detalhe.
Quer ver, em cada maleta, quantos dias faltam para o acerto e quanto ela vendeu no ciclo anterior? O EasySale mostra o prazo e o histórico de cada revendedora na mesma tela.
Prazo de maleta não é gentileza nem rigidez. É a frequência com que o seu dinheiro volta para casa.