Uma revendedora tem seis colares parados há quatro meses. Outra, do outro lado da cidade, perdeu três vendas porque não tinha aquele modelo. A solução parece óbvia: passar as peças de uma para a outra.
Na prática, transferir peças entre revendedoras é uma das operações mais arriscadas da consignação. Sem registro, a peça muda de mão e ninguém sabe mais quem responde por ela. Três semanas depois, o acerto não fecha e as duas dizem que a peça estava com a outra.
Veja como fazer o remanejamento certo, com custo baixo e rastro completo.
Por que remanejar vale a pena
Peça parada é dinheiro parado. Numa maleta de 100 peças com preço médio de R$ 80 de custo, dez peças encalhadas representam R$ 800 imobilizados. Enquanto isso, outra revendedora está sem estoque de um modelo que vende.
Remanejar tem três vantagens sobre recolher e reenviar:
- Menos frete e menos tempo de deslocamento.
- A peça continua circulando em vez de voltar para a prateleira.
- O modelo chega a quem tem público para ele (uma cidade litorânea não vende o mesmo que uma capital).
Faz diferença, principalmente, para marcas com revendedoras em cidades diferentes.
Transferir peças entre revendedoras: quem responde pela peça?
Quando a peça passa da revendedora A para a B, a responsabilidade muda no mesmo momento. Se isso não estiver registrado, existem três situações ruins:
- A revendedora A continua com a peça no acerto dela, mas não a tem mais.
- A revendedora B recebe a peça, mas ela não consta no romaneio dela.
- A peça se perde no caminho e cada uma culpa a outra.
Transferir peças entre revendedoras exige um ato formal de baixa numa maleta e entrada na outra, no mesmo dia.
Passo a passo do remanejamento
1. Identifique o encalhe com dado, não com impressão. Liste as peças com mais de 90 dias na maleta sem venda. Esse é o candidato natural a remanejar.
2. Escolha o destino pelo histórico. A revendedora que vendeu aquele tipo de peça nos últimos meses é melhor destino do que a que está com a maleta vazia.
3. Confirme com as duas. A origem concorda em devolver a peça. O destino concorda em receber e assume a responsabilidade.
4. Registre a saída e a entrada juntas. Baixa na maleta da origem, entrada na maleta do destino, com data e lista de peças por código. Fazer só metade do registro é pior do que não fazer.
5. Confira a peça física. A revendedora de origem envia, a de destino confere ao receber e confirma em até 48 horas. Peça danificada no caminho tem que aparecer nesse momento, não no acerto.
6. Ajuste o acerto das duas. A origem deixa de responder pela peça a partir da data da transferência. O prazo de acerto da peça na maleta nova começa da entrada, não da data original.
O que fazer com o prazo da peça
A regra que evita atrito: o relógio recomeça. Se a peça já estava há 100 dias com a revendedora A, a B recebe 60 ou 90 dias novos. Caso contrário, ela receberia uma peça já "vencida" e é natural que reclame.
Registre também o motivo da transferência. Peça encalhada por preço, por gosto da cliente ou por região gera decisões diferentes no futuro. Se o mesmo modelo é transferido três vezes, talvez o problema seja o modelo.
Quando não remanejar
Nem toda peça deve ser transferida:
- Peça com defeito ou banho desgastado volta para a marca.
- Peça de valor muito alto pede conferência presencial.
- Revendedora com acerto atrasado não deve receber peças novas.
O remanejamento é uma ferramenta de giro, não um jeito de esconder problema em outra maleta.
Rastreio por código evita a maior parte dos erros
Toda a operação acima depende de identificar cada peça de forma única. Se a lista diz "3 colares dourados", ninguém sabe qual foi, e a discussão do acerto é inevitável.
Com etiquetas por código, o EasySale registra em qual maleta cada peça está e mantém o histórico das transferências. Você vê, em um só lugar, de quem a peça saiu, para quem foi e quando mudou a responsabilidade.
Perguntas frequentes (FAQ)
A marca precisa participar da transferência?
Sim, ao menos no registro. A dona da marca é quem confirma a mudança de responsável e mantém o estoque consolidado.
Quem paga o frete do remanejamento?
Combine antes. A regra mais comum é a marca arcar quando o encalhe é decisão de gestão e a revendedora arcar quando a peça foi pedida por ela.
Posso transferir peça sem avisar a revendedora de origem?
Não. Ela responde pela peça até a baixa formal. Recolher sem aviso abre discussão sobre venda não registrada.
Com que frequência revisar o encalhe?
A cada acerto. Uma revisão mensal de peças com mais de 90 dias basta para a maioria das marcas.
Controle cada maleta e cada transferência com rastro completo no EasySale.
Peça que muda de mão sem registro não some do estoque, some da conta.